sábado, 23 de maio de 2009

CUNNUS, REVOLUÇÃO SEXUAL ou simplesmente....CONVERSAS DA VAGINA

Não se trata sómente de uma ferida
quesupura desejo e que sossega
àqueles que a lambem reverentes
ou aos inquietos que lhe tocam
sem inquietação religiosa
como uma prospecção do seu costume,
como quotidiana tarefa conjugal;
ou aos que se despenham, consumidos
na sua concavidade incandescente
depois de terem saciado a fome de besta
que exige a sua ração de carne crua.

Não consiste sómente nesse triângulo
de pincelada negra entre as coxas
contra um fundo de cálida brancura que se oferece.
Não é tão fácil de reduzi-lo
ao único argumento que se esconde
por detrás dos trabalhos amorosos
e das efusões da literatura.

O corpo não supõe um artefacto
de simples emngenharia corporal;
também é a tarefa do espírito
que se desdobra sábio sobre o tempo.
A arca que contém memoriosa
a alquimia milenária da espécie.

Assim os escravos do desejo
mesmo sem o suspeitar, quando lambem
a ferida mais antiga, quando apalpam
a rósea cicatriz de brilho aquático
ou quase se dissolvem na sua fenda,
voltam a pronunciar um sortilégio,
um esconjuro ancestral.

Dirigimo -nos,
sonâmbulos com rumo para a noite,
viajamos outra vez até à semente
para observar radiantes como cresce
a flor de carne aberta.

A pretérita flor.

Húmida flor atávica.


A origem do mundo.
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