segunda-feira, 23 de novembro de 2009

sábado, 24 de outubro de 2009

Ainda ando por aqui...

Passado o susto, as reconciliações e o balanço tomaram o meu já limitado tempo, cuja velocidade já me ultrapassa. Deixá - lo ir, o outro tempo, que não havendo pernas para o acompanhar, só o desdém...

Voltarei, com mais vagar...

sábado, 5 de setembro de 2009

SUSTOS...

O meu corpo tem - me lançado avisos de que algo se está a passar... palpitações, dores no peito, enfim...

O meu desprezo, ( pela Morte ia dizendo... ) melhor, a minha paixão pela vida leva -me a encarar esses factos como naturais e não lhes dar a importância devida que os que me amam dramatizam.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

MEA CULPA...

O tempo tem sido de acção já que a reflexão sobre o que aconteceu e fatalmente voltará a acontecer raia a mediocridade.

O abandono do conhecimento da História do Homem, das disciplinas outrora chamadas de Humanistas criou uma sociedade globalmente inepta para lidar com conceitos que só a Cultura permite e dá sentido.

Em amargor, Saramago, prémio Nobel da Literatura abomina o esplendor dos grunhidos a que o Planeta se vai reduzindo no contacto com os Outros.
Nada de surpreendente para quem tem estado atento ao declínio da vida pública... a favor de uma definição errática, umbical e narcisa da felicidade individual.

Lamentável que uma filosofia tão reles e tão limitada, além de ser social e moralmente condenável, como o calvinismo ainda encontre seguidores convictos na penúria ética que a decadência das religiões tem provocado.

domingo, 14 de junho de 2009

AS QUATRO MANHÃS



PRIMEIRA MANHÃ

Quando eu cheguei devia ser tarde,

já tinham dividido tudo

pelos outros e seus descendentes.

Só havia o céu por cima dos telhados

lá muito alto

para eu respirar e sonhar.

Tudo o mais

cá em baixo

era dos outros e seus descendenes.

A Terra inteira

e o mar

e o ar

tudo medido a régua e compasso

pelos outros e seus descendentes.

No mundo inteiro

não faltava ninguém

depois dos outros e seus descendentes.

A terra inteira

era estrangeira

mais este pedaço onde nasci.

Não me deixaram nada

nada mais do que o sonhar.

Eu que sonhasse!

E eu que amo a vida mais do que o sonho

e o sonho e a vida juntos

mais do que ambos separados

e que não sei sonhar senão a vida

e que não sei viver senão o sonho

hei - de ficar aqui

entre os outros e seus descendentes?

Eram meus os caminhos

os caminhos murados

só os caminhos eram meus.

Só tinham fim os caminhos

ao começar outros caminhos.

As portas fechadas

as janelas cerradas

só os caminhos eram meus.

A minha viagem não tinha fim

no fim de todos os caminhos.

O fim que tinha era outro

bem perto de mim

em todos os caminhos.

Bem perto de mim andava

aquele que eu buscava,

aquele que não era nenhum dos outros e seus descendentes,

alguém cuja pessoa era eu

que não me achava.

Apenas uma voz me falava e sabia

que eu não era nenhum dos outros e seus descendentes.

E esse que a voz sabia que eu o era

me levava pelos caminhos

os meus olhos primeiro do que eu

e o coração no peito a contar.

A voz sabia - o bem

e eu para me encontrar.

Também vi pelos caminhos

lembro - me de quantos

também como eu

à procura de tantos como eles.

Perdidos vão

perdidos? não!

não achados

não achados ainda.

Perdidos não estão

vão perdidos por se acharem,

vão mortos por se verem a si próprios

como são.

Levam o sonho no ar

e o coração a contar

as idades que é preciso ter

até cada um ser

aquele que vai em si.

Nascer é vir a este mundo

não é ainda chegar a ser.

Nascer é o feito dos outros.

O nosso é depois de nascer

até chegarmos a ser

aquele que o sonho nos faz.

Já sei de cor os caminhos

já sei o que vale a promessa

já vejo perfeito no sonho

o que me há - de a vida imitar.

Mais além

e o sonho e a vida

libertar - se - ão um do outro em mim! -ALMADA NEGREIROS

sábado, 23 de maio de 2009

CUNNUS, REVOLUÇÃO SEXUAL ou simplesmente....CONVERSAS DA VAGINA

Não se trata sómente de uma ferida
quesupura desejo e que sossega
àqueles que a lambem reverentes
ou aos inquietos que lhe tocam
sem inquietação religiosa
como uma prospecção do seu costume,
como quotidiana tarefa conjugal;
ou aos que se despenham, consumidos
na sua concavidade incandescente
depois de terem saciado a fome de besta
que exige a sua ração de carne crua.

Não consiste sómente nesse triângulo
de pincelada negra entre as coxas
contra um fundo de cálida brancura que se oferece.
Não é tão fácil de reduzi-lo
ao único argumento que se esconde
por detrás dos trabalhos amorosos
e das efusões da literatura.

O corpo não supõe um artefacto
de simples emngenharia corporal;
também é a tarefa do espírito
que se desdobra sábio sobre o tempo.
A arca que contém memoriosa
a alquimia milenária da espécie.

Assim os escravos do desejo
mesmo sem o suspeitar, quando lambem
a ferida mais antiga, quando apalpam
a rósea cicatriz de brilho aquático
ou quase se dissolvem na sua fenda,
voltam a pronunciar um sortilégio,
um esconjuro ancestral.

Dirigimo -nos,
sonâmbulos com rumo para a noite,
viajamos outra vez até à semente
para observar radiantes como cresce
a flor de carne aberta.

A pretérita flor.

Húmida flor atávica.


A origem do mundo.
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sábado, 25 de abril de 2009

VENEZA, A MAJESTOSA



ENCANTOU -ME VENEZA. No seu ar de dama misto de cortesã e lady jaz todo o seu fascínio e mistério...
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domingo, 29 de março de 2009

VEJAMOS...

O 25 de Abril em Portugal, com a sua abertura democrática permitiu aos portugueses conhecer o País onde vivem e conhecerem -se a si próprios como Nação.

Tenho por mim, hoje, que o ditador de Santa Comba parecia conhecer melhor o País que os seus habitantes.

Em Portugal, TODOS os governos pós - 25 de Abril sentiram na pele a crítica feroz, justificada, pelo atraso, aparentemente sem remédio do País, perspectivado pela falta de resultados que não conseguiam obter na Educação, na Saúde, na Justiça, etc, etc...
As críticas, repito, justificadas à luz das perspectivas ambicionadas pela população continuam até hoje.

Fala - se da Justiça, Educação, Saúde, como se fossem entidades abstractas, esquecendo - se inconsciente e convenientemente que quem os FAZ funcionar bem ou mal são portugueses de todas as classes sociais.
A incapacidade pelos vistos é Nacional, é genética, não tem nada a ver com os políticos, que, apesar da herança genética são uma percentagem desprezível no funcionamento administrativo.

O problema para mim é psicológico, pelos vistos, e se aprofundarmos a análise para outros campos de actividade lusa como o desporto e actividade empresarial repara -se que o que se releva é a mediocridade geral a pontuar com " valores " mesquinhos a vida do País.

Sabe - se que teorizar não é criar teorias mas aqui onde o " SE CALHAR... " substituiu a racionalidade e as suposições são o leitmotiv do pensamento comum, a Intriga substituiu a procura trabalhosa da verdade, a mesquinhez a negar a excelência obliterando - a por ignorância e má - fé, onde o " nobre povo " não se quer sentar no sofá do psicanalista, a auto - flagelação inconsciente, através de figuras de substituição, já raia a demência.
A esquizofrénica índole do lusitano pontuada por breves picos de euforia parece ser produo do seu esquizofrénico e aclamado clima onde as amplitudes térmicas diárias são de " BARALHAR " qualquer organismo, pelo menos o meu, caboverdiano de nascimento e identidade.

sábado, 28 de fevereiro de 2009





PORNOGRAFIAS ?

A pergunta impõe -se em toda a sua crueza. O que faz de uma imagem ou de um comportamento, pornográficos ?

A pornografia vista como tal por um agente de autoridade que à vista da imagem de Courbet na capa de um livro aprestou -se à sua remoção de olhares piedosos e de toda a edição do mesmo com ameaças de processo ao dono da livraria será a mesma que eu vejo na exposição de Goody em todo seu despudor, amoralidade e " porque não? ", esse alibi de toda imoralidade?

A crueza de Courbet simbolizado nesse torso feminino teria o mesmo significado como arte se em vez de pintura fosse uma imagem fotográfica?

As imagens, certas imagens de violência e decadência física em crescendo, da Morte, apresentadas em televisão terão o mesmo valor ético da morte em crescendo de Goody? Terá sido a venda desses direitos aos Media que terá acrescentado uma categoria moral à " cena "?

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Sessenta e um anos passados, olhando para a tranquilidade deste homem, que sou eu, descubro que em toda a minha vida ele tem sido o meu melhor amigo. Nada abalou nele a dignidade de Homem que impôs a si próprio.
A megalomania hipócrita que se lhe poderia eventualmente apontar NUNCA existiu dada a rigidez ética que impôs a si próprio como imprescindível na sua vida a par de uma insuperável compaixão pelo Outro.
Essa " dádiva " que a sua formação voluntária, autodidacta, lhe permitiu pela observação testemunhal da história do Homem actual e cultural dos antepassados aplicou - a no contacto com TODOS os que dele se abeiraram.

À hipocrisia respondeu com a verdade, à traição respondeu com perdão, à ignorância opôs a humildade no esclarecimento, à estupidez mostrou a capacidade de raciocínio, à ganância contrapôs a sobriedade, à violência enfatizou a repulsa, à Biologia exigiu a Razão.

Completamente agnóstico bastou - lhe a Razão e a Ética para ser decente. Sobrou - lhe a Solidariedade que uma vida de sobriedade não lhe tivesse permitido o excesso para a praticar, materialmente pelo menos.
Uma certeza porém me ficou - Com outros como ele o Planeta seria definitivamente mais decente.
E é por isso que o considero o amigo que gostaria de ter.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

" NÃO É A ALTURA...

... é o declive que me aterroriza ! O declive donde o olhar se precipita para o fundo, enquanto a mão se estende para o cume. E o coração é dominado pela vertigem desta dupla vontade.
Ai meus amigos, adivinhastes a dupla vontade do meu coração?

Porque, para mim, o declive e o perigo consistem em que o meu olhar se precipita para o cume, enquanto a minha mão procura fincar - se e agarrar - se... ao abismo!

A minha vontade aferra - se ao Homem, ao Homem me prendo com cadeias, porque me sinto atraído pelo Super - Homem: porque para ele tende a minha vontade.
E se vivo como cego no meio dos homens, como se não os conhecesse, é para que a minha mão não perca inteiramente a confiança num apoio firme.

Homens, não vos conheço, é com essas trevas e essa consolação que amiúde me envolvo. "

-- Assim falava Zaratustra -- Nietzsche

sábado, 3 de janeiro de 2009



EIS - NOS EM 2009..

Definitivamente não será um novo ano nem tampouco próspero.

As lições que a História dos nossos antepassados nos tem transmitido, principalmente pelos seus erros, têm - se perdido pelo abandono da Cultura e promoção da Ignorância planetária.

De nada tem valido, aparentemente, a vasta informação que a Net põe ao nosso alcance em cada dia que passa já que a sua digestão não tem provocado o que devia - RFLEXÃO. Ela tem sido vista levianamente como Consumo... pérolas a porcos, pois...

Para que a esperança não seja uma palavra vã na boca narcisa dos nossos contemporrâneos e se torne um êmulo de acção Humanista dando sentido a essa nossa condição de SAPIENS será precisa uma revolução. Onde, Quando e Como desconheço, mas SEI que ela acontecerá pelo novo homem, que por ora OBSERVA ATENTAMENTE o nosso declínio espiritual e suspenderá a nossa Queda.